quatorze passou por mim assim
quattuordecim – ou seria catorze?
aljorze não vesti esse ano, tanto faz
costumaz uma ou duas garrafas… estás afim?

então vai, parte outra vez, na desvalia
de alegrias brancas em areias entufadas
jornada já conhecida d’outras euforias,
ironia cruel de sereias encalhadas.

(volta pra água! volta pra água!)

*

o que seria de mim sem mim?
dois mil anos e quattuordecim,
passaste sobre mim num zepelim
sem arranjos em coroas de alecrim
não se ouviu clarim, flautim, bandolim
tampouco tamboreaste teu tamborim.

quattuordecim, quattuordecim,
teria sido eu assim tão ruim?
foste tu um querubim, quattuordecim,
te chamarias serafim ou delfim?
certamente não te chamarias benjamim.

seria isso tudo só o começo serafim,
ou ainda cobrarás tua féria de festim?
talvez delfim cobraria-me um rim,
passaria recibo em tinta carmesim
e o compartilharia com amigos de botequim.
benjamim seria diferente, já que arlequim
sairia saltitante de seu camarim,
cruzaria o salão real em seu escarpim,
de talim travessado, perfeito espadachim,
e buscando a paz no seu jeito chinfrim,
tenta alcançar no bolso seu morim,
mas precipita-se o guarda-real, ainda mirim,
e golpeia-lhe o peito com seu espadim
pensando se tratar de um motim.

já que benjamim não mais tocaria seu trompetin,
sua majestade real mandou publicar no pasquim
com enormes letras em nanquim dizendo assim:
“venham todos, todos venham sim,
ver o fim que deu o malandrim,
de arlequim a espadachim, venham sim,
venham ver benjamim pintado em carmim
esparamado no chão, sujando meu marfim!
p.s.: precisa-se de arlequim-espadachim
não paga-se bem, mas não precisa saber latim.”

parabéns, benjamim…
parabéns para mim!
FIM
.

assyno eduardo miranda,
d este porto seguro da jlha do Eire,
oje, sabbº, vjgesºsegº dia do segº mez d este anno de MMXIV