pássaro
de penas e plumas
pássaro
cujo voo denuncia
casto
dessegredo já revelado.

calado
requiem de funeral
inesperado
arauto triste a dançar
um fado
sem música nem trombeta.


muleta

azougue infértil e
maneta
que em tudo se mete
xereta
sempre batendo à porta.


natimorta
afinidade não endireita
da
entorta
esperança que sentimento
a
borta
rosa despetalada ao vento.

acalento
procura n‘outros e não
adentro
apaziguar arfado
sofrimento
d’imenso mar atormentado.

retirado
ávido vadio, em si mesmo
irado
barco à deriva em mar nunc‘antes
navegado:
a cavalos dados não se olham os dentes.(*)

(*)Na cultura grega antiga, era tradicional oferecer cavalos para apaziguar os deuses do mar, em sinal de honra e respeito.