Chinese Numbers – Lauren Luna
se de contar anos já me confundo
mundo impuro & de números composto
supostos seres que não contam mas fingem
cingem as ramas & tramas de desafetos
ereto cabresto em pau-a-pique de contaridade
contrariedade de quem pode ou não pode o que
desfazer ou fazer sem perguntar o quanto
tanto sim ou tanto não se tem de bom e força
da morsa que tanto aperta quanto afrouxa
babalorixá de mim mesmo, desde que nasceste
embora não parecesse, tão vivo ou tão morto
tampouco mais ou menos torto, não faz diferença…
e ainda assim tens muito o que melhorar… ah se tens!
este teu jeito cangaceiro de discurso-peixeira
ainda arauto galgo de coisas & sofrimentos
+ de tudo, então tu, esmo esborro, fidalgo dalgo incerto,
valgo de tu mesmo, quinta parte ou sesmo do que pretendias inteiro,
sendeiro oscuro & ebscuro, danado de errado e bom, que não aprendeu
a contar de dez a um, mas de vez por todas & que sempre já soube:
só mais um… só mais um… para sempre só mais um…
aí solitarionauta partes em busca desafreada a caçadas insanas
deshumanas e deshalmadas por todos os futuros hontems e passados ojes
de todas as almas (inumanas) que poçã hexistir, fossa himunda
de todos os apegos e (de)formações: todamágoa, todorancor, todaraiva
– aquela mesma que nos mata em cada dia dos nossos dias –
e a palavra cotidiana desprezada, que embora já seja palavra apenas,
é da boca pra dentro, e inunda de boa vontade os interiores,
e como sabemos, de boa vontade em boa vontade se vai ao longe,
embora não adiante muito o bonde…
 
parabéns pra você.